Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) que foi derrotado no segundo turno da eleição presidencial de 2026, viajou secretamente para os Estados Unidos e chegou a Miami, onde divulgou uma carta na qual inicialmente se autodenominou “presidente de facto” antes de alterar a designação para “líder do Brasil”.

O gesto surpreendeu rivais e apoiadores. Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha da direita ao Palácio do Planalto, comparou a possível atuação de Flávio no exterior ao papel desempenhado pela venezuelana María Corina Machado.

Na carta, Flávio fez referências a Rui Barbosa, Charles de Gaulle e Juan Guaidó. Governistas e formadores de opinião classificaram o pronunciamento como golpista e ingênuo.

Filho de Jair Bolsonaro, que se encontra preso, e irmão de Eduardo Bolsonaro, exilado nos EUA, Flávio alegou temer medidas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que ele considera o maior inimigo da família e da direita.

Após a derrota, Flávio alternou entre reconhecer a derrota e negar o resultado. Inicialmente, negou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e prometeu buscar a cassação da chapa Lula‑Geraldo Alckmin por suposto abuso político e econômico. Posteriormente, suspendeu a alegação de fraude seguindo orientação do próprio partido.

Mesmo estando nos Estados Unidos, Flávio voltou a levantar suspeitas de fraude, embora não tenha apresentado provas. Rogério Marinho afirmou não ter evidências de fraude, qualificando as alegações de Flávio como baseadas em “impossibilidades matemáticas”.

A ordem do ministro Alexandre de Moraes para recolhimento dos passaportes de Flávio minutos após a derrota foi interpretada por apoiadores como perseguição. No mesmo período, houve prorrogação da votação determinada por um juiz considerado aliado de Lula, fato que também repercutiu entre eleitores.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, manifestou descontentamento com a carta de Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu o respeito às urnas e a necessidade de “olhar para frente”.

O PL mantém a maioria nas duas Casas do Congresso, o que lhe confere instrumentos para tentar limitar o Judiciário e pressionar o governo Lula. A eleição da Mesa do Senado, prevista para 2027, será decisiva para a oposição, mas analistas apontam que acordos estratégicos podem não incluir Flávio.

Apesar do capital político representado pelos cerca de 60 milhões de votos obtidos, Flávio não garante controle exclusivo sobre a base que rejeitou Lula. Seu papel pode se limitar a exposição digital e a uma tribuna internacional, enquanto lideranças como Tarcísio de Freitas e parlamentares permanecem no Brasil.

Críticos rotulam Flávio de covarde; apoiadores o veem como mártir. A postura de Flávio também gerou distanciamento de alguns aliados, inclusive do presidente do PL.

No cenário internacional, a administração dos Estados Unidos sob Donald Trump ainda não reconheceu a vitória de Lula, mantendo em aberto riscos de novas tensões bilaterais. Há ainda expectativa de divulgação de um dossiê americano sobre o Judiciário brasileiro.

Em contraste, María Corina Machado retornou à Venezuela em 25 de outubro, após dez meses no exterior, buscando retomar protagonismo na transição negociada por Washington com a presidente Delcy Rodríguez.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.