O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) entrou na Argentina na noite de terça‑feira (27) utilizando passaporte italiano, conforme informação de fonte policial ouvida pela imprensa sob anonimato. O documento foi apresentado na travessia de fronteira em Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu (PR). A esposa, Fernanda Bolsonaro, e uma das filhas viajaram com passaportes brasileiros, enquanto a outra filha utilizou carteira de identidade.
A entrada ocorreu às 22h50, horário confirmado pela Direção Nacional de Migrações da Argentina, que declarou não haver impedimento legal para o cruzeiro da fronteira. O comunicado oficial não especificou qual documento o senador apresentou. Após o desembarque, a família embarcou em avião particular com destino declarado a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os Estados Unidos.
O voo foi operado pela empresa Baires Fly, vinculada ao empresário argentino Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos durante o governo de Javier Milei. Segundo reportagem do jornal O Globo, investigações apontam desvios superiores a 7,8 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 27 milhões) da Agência Nacional de Deficiência (Andis) e envolvem a secretária‑geral da Presidência, Karina Milei. Mastropietro também tem ligações empresariais com o ex‑presidente Mauricio Macri e é alvo de outras apurações por supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, inclusive por suposta associação com o traficante Fred Machado. Autoridades argentinas identificaram repasses superiores a 95 milhões de pesos para contas da Baires Fly.
A aeronave utilizada foi um jato Gulfstream G400, registro LV‑JQW, que permaneceu na pista do aeroporto de Puerto Iguazú antes de prosseguir para o Equador. O deslocamento foi monitorado pela Polícia Federal brasileira, que recebeu informações sobre a movimentação do senador na região fronteiriça.
A entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina ganhou destaque após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador, a entrega de eventuais documentos estrangeiros e a proibição de sua saída do país. Em cumprimento da ordem, a Polícia Federal intimou o senador na segunda‑feira (26) a entregar os passaportes até a manhã de terça‑feira (27). O prazo não foi atendido, e Moraes apontou risco de fuga ao analisar o pedido da Polícia Federal.
A deputada argentina Marcela Pagano apresentou denúncia à justiça solicitando a apuração das circunstâncias da entrada do senador, bem como a preservação de imagens de câmeras de segurança, registros de voo e listas de passageiros. Dados de imigração argentinos citados pela imprensa indicam que o primeiro destino informado para Flávio Bolsonaro foi Guayaquil, de onde ele seguiria para os Estados Unidos, onde reside seu irmão Eduardo Bolsonaro desde 2025.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
