O senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) chegou a Miami na manhã desta quarta‑feira, 28 de outubro, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza, apesar de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o impedia de deixar o país e exigia a entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF).

O avião pousou no aeroporto executivo Opa‑Locka, na região de Miami, após escala em Guayaquil, no Equador. O voo foi realizado em um Gulfstream G400, matrícula LV‑JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly. O prazo para apresentar os documentos de viagem à PF encerrava‑se às 11h de terça‑feira, mas não foi cumprido; a corporação havia solicitado a medida alegando risco de fuga e a existência de estruturas de apoio no exterior.

A viagem começou na fronteira terrestre entre Brasil e Argentina. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, Fernanda e as filhas entraram no país às 22h50 de terça‑feira, 27 de outubro, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (Paraná) a Puerto Iguazú (Misiones). O órgão informou que os quatro apresentaram documentação válida e não tinham impedimentos para ingressar na Argentina, ressaltando que a autorização de entrada não alterava a proibição de saída imposta pela Justiça brasileira.

Cerca de quarenta minutos depois, às 23h30, o grupo embarcou em um voo particular com destino a Guayaquil. No trajeto, a aeronave sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru, sem atravessar o espaço aéreo brasileiro, conforme registros do serviço de monitoramento FlightAware. Após a escala, o avião decolou às 6h22 da manhã, horário de Brasília, para o trecho final até Miami. A deslocação ocorreu três dias após a derrota de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, quando foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no domingo, 25 de outubro.

Na terça‑feira, o governo dos Estados Unidos anunciou que concederia vistos a Flávio e aos familiares, permitindo a entrada nos Estados Unidos. Em entrevista, o presidente Donald Trump afirmou que aprovaria a viagem, dizendo: “Acho que eles são boas pessoas”, e acrescentou que havia suspeitas sobre a eleição brasileira, sem apresentar provas.

A proibição de saída foi determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes na noite de domingo, 25 de outubro, em um processo que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, ambos negando irregularidades. Moraes ordenou a entrega dos documentos de viagem e o cancelamento dos passaportes brasileiros do parlamentar, inclusive o diplomático, bem como de documentos estrangeiros. Flávio possui passaporte italiano, concedido em 2023.

Os investigadores citaram a capacidade financeira do senador e uma manifestação do ex‑deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, que recomendou a saída do país em caso de derrota nas eleições. Na segunda‑feira, 26 de outubro, após ser intimado pela PF, Flávio divulgou vídeo afirmando que entregaria os documentos e permaneceria na oposição ao governo Lula, ao mesmo tempo em que questionava os fundamentos da decisão de Moraes.

Além da investigação de suposta lavagem de dinheiro, Flávio Bolsonaro responde a outro inquérito que apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, biografia cinematográfica sobre a trajetória do ex‑presidente Jair Bolsonaro.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agora RN. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.