Flamengo alertou nesta terça‑feira (3) que a proibição das apostas de quota fixa no Brasil pode reduzir em cerca de R$ 430 milhões as receitas anuais do clube e colocar em risco mais de 1.200 empregos. O alerta foi feito por Flávio Willeman, vice‑presidente geral do Flamengo, durante audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir a Medida Provisória 1.394/2026, que suspendeu a exploração das bets no país.

Willeman afirmou que o clube assumiu obrigações financeiras com atletas e empregados com base em contratos firmados sob a legislação que regulamentou o mercado de apostas. “O Flamengo contraiu obrigações financeiras com atletas e com empregados com base nesses contratos”, disse o dirigente, ao criticar a interrupção das atividades das empresas de apostas e os efeitos sobre os acordos de patrocínio.

Segundo o representante rubro‑negro, parte do planejamento financeiro do clube foi estruturado considerando a regulamentação das apostas, que, segundo ele, foi fruto de amplo debate no Congresso Nacional. “O Flamengo acreditou que o Brasil, após amplo debate no Congresso Nacional, regulou as apostas neste país e, portanto, confiou que essa atividade econômica teria perenidade que possibilitasse às instituições desportivas celebrar contratos e contrair obrigações com base nessa legislação”, declarou.

Willeman ressaltou que o impacto financeiro não se limita ao futebol profissional, mas também afeta os esportes olímpicos mantidos pelo clube. “O Flamengo possui mais de 1.200 empregados que poderão ser comprometidos com a queda de aproximadamente R$ 430 milhões de receitas anuais com o futebol e com os esportes olímpicos”, alertou.

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux para analisar a constitucionalidade da MP 1.394/2026, que proibiu a exploração das apostas de quota fixa. A medida tem sido questionada por entidades ligadas ao setor de jogos. Além do Flamengo, outros clubes manifestaram preocupação. O Fluminense estimou um impacto de R$ 200 milhões em suas receitas, enquanto representantes do Corinthians, Botafogo, Cruzeiro e São Paulo defenderam a preservação dos contratos ou a ampliação do período de transição.

Os dirigentes desses clubes argumentaram que a retirada dos patrocínios pode comprometer o pagamento de salários, a manutenção das categorias de base e os investimentos no futebol feminino.

Do lado do governo federal, representantes defenderam a manutenção da proibição, apontando problemas relacionados ao endividamento das famílias, à dependência em jogos e aos riscos à saúde pública. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reconheceu a preocupação com a segurança jurídica e as expectativas criadas pelas empresas e instituições que firmaram contratos com o setor, mas afirmou que os impactos sociais das apostas justificam medidas mais rigorosas. “Nós nos deparamos com uma escolha dramática. Nós não queremos conspurcar contra a segurança jurídica. Nós não queremos deixar de reconhecer a legítima expectativa que se formou no ambiente de negócios”, disse.

O ministro acrescentou que “o drama, o endividamento, os suicídios e tudo aquilo que estava ao derredor dessa atividade nos trouxe a visão, a dura necessidade de adotarmos uma medida mais severa”. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que a proteção da população contra os efeitos da dependência em apostas deve prevalecer sobre os interesses econômicos envolvidos. “A única e a melhor solução para evitar suicídios, evitar pessoas viciadas, evitar violência familiar, é mantermos a proibição das bets”, afirmou.

A audiência pública reuniu representantes do governo, clubes de futebol e entidades do setor de apostas. O debate integra a análise das ações que questionam a constitucionalidade da medida provisória. Embora a sessão não tenha caráter de julgamento, a decisão sobre a validade da proibição será tomada pelo STF.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.