Eleitores de diversos estados americanos decidirão, no dia 3 de novembro, sobre uma série de propostas que colocam à prova bandeiras progressistas nas eleições de meio de mandato de 2026. Entre os temas em votação estão a taxação de bilionários, a legalização do aborto e programas de moradia acessível, questões que podem influenciar tanto a agenda nacional quanto a política dos governos estaduais.
Na Califórnia, a cédula traz uma medida que prevê a cobrança de um imposto extraordinário de 5 % sobre o patrimônio de bilionários, com a maior parte da arrecadação destinada ao financiamento da saúde. A iniciativa, apresentada pela entidade sindical SEIU‑UHW, tem como meta arrecadar cerca de US$ 100 bilhões. Em entrevista à BBC, a líder da SEIU‑UHW alertou que a ausência da medida poderia levar ao colapso do sistema de saúde estadual enquanto se busca solução de longo prazo. O estado, que concentra a maior quantidade de bilionários dos Estados Unidos, tem registrado reações de alguns desses indivíduos; um magnata, citado pela emissora, afirmou sentir‑se “um pouco como se eu não fosse bem‑vindo” diante da proposta.
Segundo levantamento do Instituto de Estudos Governamentais de Berkeley e do Los Angeles Times, 45 % dos eleitores da Califórnia demonstram maior probabilidade de apoiar a cobrança de 5 % sobre o patrimônio dos super‑ricos, 42 % se opõem e 13 % permanecem indecisos. O debate não se restringe ao estado da Costa Oeste: o vizinho Washington avalia a implementação de um “imposto sobre milionários”, com alíquota que pode chegar a 9,9 % sobre rendimentos anuais superiores a US$ 1 milhão.
O economista Kristian Niemietz, chefe de economia política do Instituto de Assuntos Econômicos, observou que, embora impostos sobre o patrimônio tenham sido comuns na Europa, atualmente são aplicados apenas na Espanha, Noruega e Suíça. Ele apontou que tais tributos geram custos administrativos elevados, desestimulam investimentos e podem provocar fuga de capitais, reduzindo a arrecadação. Uma organização norueguesa constatou que, em 2022, o número de bilionários que deixaram o país foi maior do que o total dos treze anos anteriores combinados.
Em quatro estados – Nevada, Virgínia e Idaho – os eleitores votarão a favor da legalização do aborto, enquanto em Missouri a proposta em discussão é a possível revogação do direito ao procedimento, concedido há dois anos. O tema já esteve em pauta nas eleições de 2024, quando dez estados decidiram sobre a questão; sete deles registraram vitórias para ativistas pró‑aborto, como a aprovação, no Arizona, da legalização até o ponto de viabilidade fetal. Em Nova Iorque, já legalizado, foi aprovada norma que proíbe discriminação por gravidez e garante autonomia em saúde reprodutiva. Por outro lado, movimentos pró‑vida obtiveram sucesso na Flórida, Nebraska e Dakota do Sul. Na Flórida, a proposta de legalização até a viabilidade recebeu 57 % dos votos, abaixo dos 60 % exigidos para aprovação, e na Dakota do Sul o eleitorado rejeitou a inclusão do direito ao aborto na Constituição estadual até a 12ª semana de gestação.
A Califórnia também apresenta duas propostas relacionadas à habitação. A primeira autoriza a emissão de US$ 11,25 bilhões em títulos públicos para financiar programas de moradia acessível, dos quais US$ 1,25 bilhão seriam destinados a veteranos. A segunda cria um programa de segunda hipoteca para compradores qualificados, com emissão de até US$ 25 bilhões em títulos de receita administrados pela agência estadual de financiamento habitacional. O governador Gavin Newsom, o Partido Democrata e municípios como os condados de San Diego, Orange e Santa Barbara apoiam a primeira medida, argumentando que ela ampliará o acesso à casa própria e beneficiará famílias de baixa renda. Newsom afirmou que o título oferece aos eleitores a oportunidade de ajudar mais californianos a conquistar a casa própria.
A oposição republicana critica as propostas, alegando que o Estado deveria primeiro reduzir custos de construção antes de recorrer a empréstimos. O deputado estadual Carl DeMaio destacou que o custo da construção na Califórnia é “extraordinariamente, exponencialmente, mais alto do que deveria ser” e que reformas são necessárias antes de se recorrer ao crédito.
A segunda proposta conta com apoio de organizações democratas, de entidades federais e estaduais que representam carpinteiros, da Associação de Corretores de Imóveis da Califórnia e da organização sem fins lucrativos Building a Better California, que recebe apoio financeiro do cofundador do Google, Sergey Brin. Os defensores alegam que o programa tornará a aquisição de imóveis residenciais mais acessível para famílias de classe média. Os opositores republicanos, porém, argumentam que a medida teria pouco efeito na redução dos custos habitacionais e poderia subsidiar construções de alto custo.
Com essas questões em pauta, o pleito de 3 de novembro servirá como termômetro da aceitação de políticas progressistas nos Estados Unidos, refletindo a posição dos eleitores sobre tributação de grandes fortunas, direitos reprodutivos e estratégias para enfrentar a crise habitacional.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
