Senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou nesta quarta‑feira (28) o texto de uma carta divulgada logo após sua chegada aos Estados Unidos com a família, retirando a expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e passando a se apresentar como “líder do Brasil”. A mudança ocorre enquanto o Partido Liberal e o candidato a vice‑presidente da sua chapa, deputado Alfredo Gaspar, já reconheceram formalmente a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decisão confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral e por diversos chefes de Estado.

A primeira versão da carta, dirigida à comunidade internacional e aos eleitores do senador, continha a autoproclamação que questionava o resultado das urnas, em sintonia com o discurso do ideólogo Steve Bannon. No documento, Flávio Bolsonaro também anunciava o senador Rogério Marinho (PL‑RN) como seu candidato à Presidência do Senado, ressaltando a importância de Marinho para a articulação nacional do partido. Além disso, o senador afirmou que conduzirá a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos, dizendo que dirá o que “vocês, aí, não podem dizer” e assumirá os riscos que “vocês não podem correr”.

Na mesma carta, Flávio Bolsonaro agradeceu aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, afirmando ter recebido apoio dos governos de ambos os países. Ele elogiou Milei por “coragem, senso de justiça e legalidade” e agradeceu a Trump e ao “maravilhoso povo americano” por acolher sua família e oferecer “segurança jurídica que não temos mais no Brasil”. O senador não detalhou a forma de assistência concedida por Milei.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado sobre a afirmação de Flávio Bolsonaro de ser o “verdadeiro presidente” do Brasil. Em resposta, Trump declarou que não comentaria a questão, acrescentando que os EUA concederam autorização para a entrada do senador no país, mas que ele não se envolveria. O presidente americano também qualificou as eleições brasileiras como “muito estranhas”, sem apresentar evidências de irregularidades.

Deputado Alfredo Gaspar, que já reconheceu a vitória de Lula, atribuiu a derrota do grupo ao que chamou de “sistema”. Em entrevista, ele afirmou que o partido enfrentou perseguições e reiterou a intenção de manter a atuação política no Congresso.

A viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos ocorreu após ele deixar de entregar seus passaportes à Polícia Federal e descumprir ordem judicial que proibia sua saída do país. Na noite de terça‑feira (27), o senador cruzou a fronteira com a Argentina, embarcou para o Equador e chegou a Miami na manhã de quarta‑feira (28). Autoridades americanas confirmaram que o governo emitiria vistos para o senador, sua esposa e suas duas filhas, e que a entrada foi aprovada pelo presidente Trump.

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