O Brasil lidera o ranking mundial de juros reais, com taxa de 8,45% ao ano, de acordo com levantamento da fintech MoneYou, que analisou 40 países. O indicador, que subtrai a inflação projetada para os próximos 12 meses da taxa de juros, coloca a economia brasileira à frente de Rússia (6,79% ao ano) e Argentina (2,69%). O nível elevado dos juros acompanha a taxa básica Selic, fixada em 13,75% ao ano, o que encarece empréstimos, reduz a atratividade de investimentos e eleva os custos de financiamento para consumidores, empresas e para o próprio governo.
Nos 12 meses encerrados em agosto, o governo federal desembolsou R$ 1,18 trilhão em despesas com juros da dívida, valor equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A dívida pública totalizou cerca de R$ 11 trilhões, representando aproximadamente 82% do PIB, patamar superior aos 71% registrados no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Economistas apontam que a combinação de juros elevados, crescimento das despesas e a necessidade de manter o equilíbrio fiscal constitui um dos principais desafios para a gestão que se inicia no quarto mandato.
Entre os fatores que pressionam as contas públicas estão o envelhecimento da população e o aumento das despesas previdenciárias. Especialistas discutem a adoção de medidas de controle de gastos e a revisão da política fiscal como caminhos para conter o avanço do endividamento.
Paralelamente ao cenário econômico, o Centrão – bloco parlamentar formado por União Brasil, PP e Republicanos – está reavaliando sua relação com o Partido Liberal (PL) para a próxima legislatura, ao mesmo tempo em que se aproxima do governo Lula nas articulações pela reeleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. O movimento busca preservar espaços de poder e conter o avanço de representantes bolsonaristas no Congresso Nacional.
Na Câmara, a federação de partidos formada por PT, PCdoB e PV declarou apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidente da Casa, elevando para 361 o número de deputados de legendas favoráveis à sua permanência. O apoio petista tem condição: a federação ameaça deixar o bloco caso o PL e o Novo sejam incluídos na articulação. O PL, que elegeu 121 deputados federais, terá a maior bancada a partir de fevereiro de 2027 e pretende usar esse peso para reivindicar o comando de comissões estratégicas, como Constituição e Justiça (CCJ), Relações Exteriores e Segurança Pública.
No Senado, União Brasil e PP anunciaram apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfraquecendo a possibilidade de candidatura de Tereza Cristina (PP-MS). O PL marcou reunião para 4 de novembro, quando decidirá se lança o senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência da Casa, eleição prevista para 1º de fevereiro de 2027. Parte da oposição defende um acordo entre Marinho e Tereza Cristina para evitar a divisão de votos. Alcolumbre, por sua vez, conta com sinalizações de apoio de MDB, PSD, PT, União Brasil e PP, totalizando 33 senadores, oito a menos dos 41 necessários para eleger o presidente.
A disputa pelo comando do Senado também envolve a decisão sobre pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, pauta defendida pela oposição bolsonarista.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
