O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça‑feira que o receio dos investidores em relação à política econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem fundamento. Em entrevista coletiva, o titular do Ministério destacou que as conversas mantidas com o presidente não apontam para riscos que justifiquem uma postura de medo por parte do mercado, e que o governo pretende conduzir um ajuste fiscal gradual, preservando os compromissos assumidos na campanha e assegurando justiça para os mais pobres.
Durigan explicou que o ajuste será “gradual e respeitará os compromissos de campanha, sendo justo em relação aos mais pobres e à progressividade que é necessária buscar no nosso sistema”. O ministro ressaltou ainda que a tarefa de melhorar os indicadores fiscais deve ser conciliada com a manutenção das políticas sociais, acrescentando que “esse é um grande desafio. Nós vamos ter que achar o caminho para fazer essas duas coisas sem procurar uma narrativa fácil”.
A declaração ocorre em meio à reação negativa dos mercados financeiros à reeleição de Lula, anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 25 de outubro. Na primeira sessão de negociação após a divulgação do resultado, em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88 % e o dólar ultrapassou a marca de R$ 5,60. Na semana seguinte, a bolsa acumulou queda de 18,12 %, o pior desempenho desde março de 2020.
Os investidores apontam como pano de fundo a situação das contas públicas. Dados do orçamento federal de 2027 mostram que mais de 90 % das despesas estão comprometidas com gastos obrigatórios, enquanto a dívida bruta do país atingiu 82,9 % do Produto Interno Bruto em agosto, segundo o Banco Central. Essa conjuntura tem alimentado dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de conter o endividamento.
A apreensão também foi intensificada pela divulgação de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real. A ideia prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e a redução gradual da taxa Selic, atualmente em 13,75 % ao ano, para cerca de 7,5 % em doze meses. Rumores de que o presidente poderia discutir o plano com o economista geraram inquietação entre os investidores.
Durigan negou que haja reunião marcada entre Lula e Lara Resende e afirmou que a proposta ainda não representa um projeto em avaliação pelo governo. O ministro apontou “várias deficiências” na formulação apresentada pelo economista.
Em relação ao ajuste fiscal, o ministro reconheceu que o governo ainda não concluiu a definição das medidas para o próximo mandato. Segundo Durigan, a equipe econômica está revisando políticas públicas para melhorar a aplicação dos recursos, sem retirar direitos da população. “Vamos melhorar o resultado primário, como nós fizemos de 2023 para cá, fazendo com rigor a avaliação das políticas públicas já existentes, não para tirar direitos, mas para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e olhar para os investimentos estratégicos do país”, declarou.
Durigan reconheceu a necessidade de encontrar um caminho que concilie responsabilidade fiscal com os compromissos sociais assumidos na campanha, mas não apresentou cronograma para a divulgação das medidas.
Analistas e investidores consultados apontam que o próximo mandato exigirá mudanças estruturais nas despesas públicas para estabilizar a dívida. Entre as alternativas discutidas estão a revisão de regras de benefícios sociais e aposentadorias, a redução de despesas administrativas e alterações na distribuição de recursos do orçamento federal. O governo, portanto, enfrenta o desafio de tranquilizar os mercados ao mesmo tempo em que mantém a agenda social que sustentou sua vitória eleitoral.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
