Divinópolis, município de aproximadamente 245 mil habitantes localizado a 120 km de Belo Horizonte, saiu das eleições de 2026 com sete representantes eleitos para cargos federais e estaduais: Cleitinho Azevedo (Republicanos) para o governo de Minas Gerais, Domingos Sávio (PL), ex-prefeito da cidade, para o Senado, e na Câmara dos Deputados Gleidson Azevedo (Republicanos), Ana Elisa (PT), Gleide Andrade (PT) e Lohanna França (PV), esta última anteriormente vereadora. No âmbito estadual, Eduardo Azevedo (PL) foi reeleito deputado. Os três irmãos Azevedo – Cleitinho, Gleidson e Eduardo – são nativos de Divinópolis e pertencem a uma família de comerciantes; Gleidson, gêmeo de Cleitinho, exerceu a prefeitura de 2021 a 2026, sendo reeleito em 2024 com 71,54 % dos votos válidos, antes de concorrer a outro cargo nas eleições deste ano.
Os indicadores econômicos da cidade apresentam resultados divergentes. No Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública, Divinópolis avançou 40 posições, passando da 146ª para a 106ª colocação nacional e ficando em nono lugar entre os municípios mineiros avaliados. O salto foi impulsionado pela dimensão “Instituições”, que reúne sustentabilidade fiscal e eficiência da máquina pública, na qual a cidade subiu 111 posições, alcançando a 31ª posição no país. Na dimensão “Economia”, porém, o município recuou quatro lugares, situando‑se na 143ª posição. A prefeitura informou ainda que o tempo de licenciamento de empreendimentos foi reduzido em 60 % por meio do programa “Divinópolis Mais Livre”, embora não tenha divulgado os prazos comparados.
Segundo dados do IBGE, o Produto Interno Bruto de Divinópolis foi de aproximadamente R$ 9,34 bilhões em 2023, a preços correntes. Em janeiro de 2026, o Novo Caged registrou mais de 28 mil vínculos formais no setor de serviços, 16 mil no comércio e 13 mil na indústria. Em agosto, o Caged apontou saldo positivo de 53 postos formais, com 119 vagas criadas no comércio, 118 no setor de serviços, enquanto a indústria perdeu 112 postos e a construção 81.
O polo de confecções da cidade, que reúne mais de 2 550 empresas – cerca de 500 delas formais – produz, segundo o Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), cerca de 19 milhões de peças por ano e gera mais de 4 mil empregos formais diretos. A empresa Tricostura, cujo diretor‑executivo Cleverson Nogueira Gabriel também preside a Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Divinópolis (Acid), exemplifica a dinâmica do setor. Iniciada atendendo apenas clientes locais, a companhia ampliou sua atuação para todo o Brasil e exporta para Argentina, Paraguai e Colômbia, empregando 230 colaboradores. “A proximidade com os compradores e suas exigências ajudaram a desenvolver a produção”, afirmou Nogueira Gabriel.
Entretanto, o segmento enfrenta pressão da concorrência de roupas importadas, sobretudo da Ásia, e a necessidade de diversificar a clientela. O empresário observa que a produção de uniformes tem oferecido alguma proteção contra a concorrência externa. Entre os principais entraves apontados pela Acid estão a carga tributária, obrigações fiscais, custos financeiros e dificuldade de acesso ao crédito. “É igualmente importante fortalecer as empresas já instaladas no município”, ressaltou o presidente da associação.
A infraestrutura da cidade tem recebido investimentos recentes. A Subestação Divinópolis 3 entrou em operação em fevereiro de 2026, com capacidade de 50 MVA, atendendo também Carmo do Cajuru e São Gonçalo do Pará. A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) concluiu 110 km da linha principal do projeto centro‑oeste, conectando Divinópolis à rede de gás natural; o investimento total do projeto supera R$ 800 milhões e prevê cerca de 300 km de linhas. “A disponibilidade de energia amplia as opções para a instalação e a expansão de indústrias”, destacou Nogueira Gabriel.
Na área da saúde, o Hospital Regional, planejado para atender 54 municípios e mais de 1,2 milhão de habitantes, começou a receber pacientes de forma gradual em junho de 2026, reforçando a função regional da cidade.
Apesar dos avanços, a contratação de mão‑de‑obra qualificada permanece como um dos desafios apontados pelos empresários locais. “A contratação de trabalhadores qualificados permanece entre as dificuldades”, disse Nogueira Gabriel, que também enfatizou que a visibilidade política deve se converter em resultados concretos. “Essa visibilidade deve ser traduzida em investimentos, melhoria da infraestrutura, qualificação profissional, inovação e geração de empregos”, concluiu o presidente da Acid.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
