A estimativa do Fundo Monetário Internacional para 2026 indica que o produto interno bruto mundial soma cerca de US$ 126 trilhões, enquanto a dívida pública global atinge aproximadamente US$ 111 trilhões, valor calculado a preço presente. A proporção entre dívida total e PIB global, já elevada, tem despertado preocupação entre analistas, que apontam para um possível limite de endividamento a partir do qual o crescimento da dívida supera o crescimento econômico mundial, podendo desencadear inflação, desemprego e queda do padrão de vida.

Em todos os países, exceto alguns regimes socialistas, o financiamento das despesas públicas provém de duas fontes principais: a arrecadação de tributos e a contração de dívida por meio de empréstimos. A emissão de moeda, embora tecnicamente disponível ao Estado, é evitada como prática regular porque tende a gerar aumento generalizado de preços, ou seja, inflação.

Essas duas alternativas – tributos e dívida – são limitadas pela dimensão da economia, medida pelo PIB. Quando a arrecadação se mostra insuficiente, os governos recorrem ao endividamento, mas o volume de dívida que podem assumir está condicionado ao tamanho da produção nacional.

No Brasil, o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um salto de mais de dez pontos percentuais na dívida pública em relação ao PIB. Mesmo considerando critérios diferentes adotados pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central, o nível da dívida brasileira se aproxima dos patamares observados em países desenvolvidos, embora o país ainda careça de credibilidade para captar recursos a juros baixos, como ocorre nas economias avançadas.

Apesar de representar menos de 2 % da dívida mundial, a trajetória ascendente da dívida brasileira tem gerado alerta entre especialistas. Apoios políticos ao presidente Lula descartaram a possibilidade de ajuste fiscal no próximo mandato, o que dificulta a obtenção de superávit primário real no curto prazo. O governo tem recorrido a mecanismos legais, envolvendo o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, para excluir determinadas despesas do cálculo das metas fiscais, prática que tem sido descrita como “mascaramento” das contas públicas.

Nos Estados Unidos, a dívida pública ultrapassa 120 % do PIB, e a dificuldade de ampliar a carga tributária torna o cenário de endividamento ainda mais delicado. O país, no entanto, beneficia-se de ser emissor da moeda de reserva internacional, o dólar, o que lhe garante amplo acesso a financiamento externo. O ex‑presidente francês Charles de Gaulle chegou a afirmar que os Estados Unidos possuíam o privilégio de “exportar inflação” para o resto do mundo.

No contexto brasileiro, a taxa de juros paga pelos títulos da dívida pública permanece elevada, reflexo histórico de períodos inflacionários e de alta carga tributária. Recentemente, o governo anunciou a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBD) com alíquota superior à inicialmente prevista, medida que, segundo a teoria econômica, pode reduzir a arrecadação se o aumento de impostos ultrapassar um ponto de eficiência.

Economistas que analisam a conjuntura global consideram que o endividamento excessivo, aliado a déficits fiscais crônicos, constitui a principal vulnerabilidade da economia mundial. Eles alertam que a combinação de dívida crescente e crescimento econômico estagnado pode limitar a capacidade de reduzir a pobreza e as desigualdades de renda. As soluções tradicionais – elevação de tributos e corte de gastos sociais – enfrentam resistência política, pois podem intensificar tensões sociais, desemprego e empobrecimento.

Para evitar uma desaceleração econômica prolongada, especialistas defendem a necessidade de reformas estruturais na gestão macroeconômica dos governos, visando à contenção do endividamento e à melhoria da eficiência fiscal. No caso brasileiro, embora o diagnóstico de risco seja amplamente reconhecido, as perspectivas de implementação de medidas corretivas nos próximos quatro anos permanecem incertas.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.