A derrota histórica do presidente Donald Trump nas eleições de 3 de novembro, que tirou os republicanos da maioria tanto na Câmara quanto no Senado, pode reduzir a política de intervenções da Casa Branca na América Latina e abrir espaço para um acordo com o Brasil sobre as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A política externa de Trump, articulada em torno da “proeminência” de Washington e da “dominação” dos EUA no continente, buscou bloquear a influência econômica da China nos países latino‑americanos e caribenhos. Entre as ações marcantes desse segundo mandato, destaca‑se a invasão da Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro em janeiro de 2026, seguida de um acordo petroleiro que reservou 21% da produção venezuelana a uma empresa ligada ao Pentágono, com parte do óleo sendo vendido a preço de custo.
Outra iniciativa, o programa “Escudo das Américas”, foi criado sob a justificativa de combater cartéis de drogas, mas tem sido apontado como instrumento de interferência dos EUA na região. Na Bolívia, o programa foi utilizado para prender o procurador‑geral Roger Mariaca, acusado de colaboração com o narcotráfico. A prisão suscitou dúvidas porque Mariaca investigava o operador digital Fernando Cerimedo, associado ao movimento de Trump nos EUA e assessor dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Bolívia, Rodrigo Paz.
Paralelamente, o “tarifaço” aplicado pelo governo Trump contra o Brasil tem sido interpretado pelo governo brasileiro como uma interferência política destinada a influenciar as eleições de outubro, favorecendo o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A professora de Relações Internacionais Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina, avaliou que um Congresso de maioria democrata deve impor limites à agenda de Trump, incluindo a autorização de gastos para ações no exterior e a abertura de investigações contra membros do Executivo. “No âmbito da defesa, isso vai ser muito importante. Eu imagino que o Congresso tende a sustar os gastos desse setor. Na América Latina, isso tende a ser percebido, inclusive, dentro do Escudo das Américas, com talvez menos recursos e menos ênfase a essa política. Portanto, pode vir a representar um freio para interromper essas políticas intervencionistas”, afirmou.
O doutor em Ciência Política Juliano Machado Pires considerou que a derrota eleitoral pode incentivar o governo Trump a buscar um acordo com o Brasil. “Se eles aprenderam algo com a derrota, é que a economia precisa melhorar. Comprar briga com o Brasil neste momento não faz o menor sentido”, declarou. Em relação ao secretário de Estado, Marco Rubio, apontou que o parlamentarismo democrata exigirá que o executivo explique suas ações ao Congresso, o que pode redirecionar a atenção para negociações com o Brasil em áreas como tarifas, terras raras e data centers. “Se eles forem racionais, é o momento de fazer as pazes com o governo brasileiro”, acrescentou.
Porém, Machado não descartou a possibilidade de o governo Trump criar “factóides” no exterior como estratégia para desviar o foco de problemas internos, mantendo a incerteza sobre os rumos da política externa americana na região.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
