Flávio Bolsonaro (PL) foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 25 de outubro e deixará o Senado Federal em fevereiro de 2027, ao término de seu mandato. Caso não ocupe outro cargo eletivo até lá, ficará sem mandato público pela primeira vez desde a eleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 2002.
Na disputa presidencial, o senador recebeu 59,8 milhões de votos, correspondentes a 48,21 % dos votos válidos, enquanto Lula obteve 64,3 milhões de votos, ou 51,79 %, garantindo o quarto mandato à presidência da República.
Imediatamente após a divulgação dos resultados, Flávio Bolsonaro classificou a eleição como “sacanagem”, afirmou ser “impossível” reconhecer a derrota e declarou que tentará anular o pleito, ecoando a postura adotada por seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), reconheceu a votação recebida pelo colega, ressaltando que “um colega senador disputou e teve 60 milhões de votos, e isso não é pouca coisa”.
A saída do senador do cargo também implica a perda do foro privilegiado. Contudo, a extinção do mandato não determina automaticamente o encerramento das investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão de março de 2025, o STF definiu que processos que investigam crimes cometidos no exercício da função pública podem permanecer na Corte mesmo após o término do mandato, inclusive quando o inquérito é aberto posteriormente.
Flávio Bolsonaro é alvo de duas apurações. A primeira investiga suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro. Documentos divulgados pela imprensa apontam que o senador negociou recursos com Daniel Vorcaro, ex‑banqueiro do Banco Master, em operações que teriam movimentado cerca de R$ 131 milhões, dos quais aproximadamente R$ 60 milhões teriam sido pagos. A investigação também menciona a participação de empresa vinculada ao pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, na circulação dos recursos, sem que ainda estejam esclarecidos a origem e o destino final dos valores.
A segunda apuração, baseada em documentos obtidos pela Polícia Federal, examina indícios de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. Segundo a PF, Flávio Bolsonaro constava como “usuário master” de conta bancária vinculada a empresa controlada por Tomaz, o que lhe concederia amplo acesso à movimentação financeira. O senador negou ter esse tipo de acesso, e o advogado também afirmou que não mantém negócios com o parlamentar.
Antes de ingressar no Senado, Flávio Bolsonaro cumpriu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual (2002, 2006, 2010 e 2014) e, em 2016, concorreu à prefeitura do Rio de Janeiro, sendo derrotado. No Senado, dois projetos de sua autoria foram convertidos em lei, conforme levantamento do ICL Notícias. Seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral aumentou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhão ao longo do período analisado.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog Jair Sampaio. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
