O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, formado por democratas, criticou nesta quarta‑feira a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL‑RJ). O órgão publicou, nas redes sociais, comparações entre a política migratória americana aplicada a refugiados de conflitos e o tratamento concedido ao senador e à sua família. “Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, escreveu o comitê no X. Em sequência, acrescentou que “aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, ao citar o plano do Departamento de Estado de conceder vistos a Flávio e seus familiares.
Em post no Instagram, o deputado democrata Joaquín Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo‑se à derrota de Flávio Bolsonaro na candidatura à presidência da República no domingo, 26 de outubro. Castro também destacou que o senador está sob investigação no Brasil por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e que foi determinado que entregasse seus passaportes. Segundo o parlamentar, o governo Trump deve prestar explicações ao Congresso norte‑americano por supostamente ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira.
Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram a Miami na manhã de 28 de outubro, após cruzarem a fronteira entre Brasil e Argentina e embarcarem em voo privado que fez escala no Equador. Na terça‑feira, 27, um aliado próximo do senador e uma fonte do governo dos Estados Unidos confirmaram à Reuters que Flávio havia deixado o país. O senador não cumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar os passaportes à Polícia Federal.
Na véspera da partida, Flávio Bolsonaro publicou vídeo nas redes sociais depois de ser intimado pelo Judiciário, negando a intenção de deixar o Brasil. No mesmo discurso, afirmou que permaneceria no país para organizar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno por mais de 4,4 milhões de votos.
A determinação de Moraes para a entrega dos documentos ocorreu no âmbito de um inquérito que investiga o senador por lavagem de dinheiro, investigação que também envolve o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Ambos negam qualquer irregularidade. A medida do ministro foi tomada após o ex‑deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, declarar em transmissão nas redes sociais que o senador deveria deixar o país caso perdesse a eleição e conduzir a oposição brasileira a partir do exterior.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Agência Brasil. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
