O volume de emplacamentos de veículos elétricos a bateria (BEVs) caiu 18,1% em setembro, passando de 27.166 unidades registradas em agosto para 22.246, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O recuo ocorreu apesar de o interesse do consumidor brasileiro por carros eletrificados permanecer elevado, conforme indicadores de busca online. Entre os modelos que mais contribuíram para a diminuição estão o Geely EX2 e o BYD Dolphin, cujas vendas mensais foram reduzidas, respectivamente, em 53,1% (de 5.804 para 2.724 unidades) e 38,7% (de 6.740 para 4.132 unidades). Juntos, os dois modelos representaram 5.688 unidades a menos, enquanto a queda total do segmento foi de 4.920 unidades; sem eles, os demais BEVs teriam registrado crescimento de 5,3% no mês.
A diminuição não reflete, segundo as próprias montadoras, falta de demanda. A Geely informou ao UOL que determinadas versões e cores do EX2 foram incluídas em lista de reserva, com entregas previstas para iniciar em dezembro. A BYD atribuiu a redução nas vendas do Dolphin GS a uma demanda superior ao previsto e comunicou que um novo lote chegou ao país no fim de setembro, esperando normalizar as entregas a partir de outubro.
Além da oferta, as condições de financiamento têm pesado sobre a decisão de compra. Em agosto, a taxa média de juros das novas operações de crédito com recursos livres para aquisição de veículos por pessoas físicas foi de 1,97% ao mês, de acordo com o Banco Central. O economista Fernando Balotin explicou que a diferença entre o interesse pelo produto e a efetivação da compra está na aprovação de crédito. “O que converte esse desejo em emplacamento real é a aprovação de crédito na ponta final”, afirmou. Ele destacou que o ticket médio dos veículos elétricos supera o dos carros a combustão, exigindo parcelas que podem ficar incompatíveis com a renda de parte dos consumidores. Segundo Balotin, os bancos têm exigido entradas maiores para reduzir o risco de inadimplência, o que “reflete uma asfixia financeira do comprador e um encarecimento do dinheiro, não uma rejeição ao produto elétrico”.
A logística de transporte também tem limitado a disponibilidade dos veículos. Em entrevista ao portal neozelandês Auto Trader NZ, Warren Willmot, gerente‑geral da BYD na Nova Zelândia, revelou que mais de 2 mil unidades já fabricadas na China aguardavam embarque, com a escassez de navios acrescentando três a quatro semanas aos prazos de entrega. No mesmo sentido, Lasse Kristoffersen, CEO da empresa de transporte marítimo Wallenius Wilhelmsen, declarou ao The Loadstar que a expansão da frota de navios transportadores de veículos foi absorvida pela demanda global, gerando uma insuficiência de capacidade entre 2 e 4 milhões de unidades equivalentes de veículos.
No Brasil, a BYD projeta produzir 25 mil veículos por mês até o final de 2026, ainda abaixo da demanda média estimada em 30 mil unidades mensais. A fabricante pretende ampliar a capacidade da fábrica de Camaçari, na Bahia, para 600 mil veículos por ano, dependendo da obtenção de autorizações necessárias. Embora a expansão da produção nacional possa reduzir a dependência do transporte internacional, a solução dos gargalos de oferta ainda demanda tempo.
Apesar da queda nos emplacamentos, o interesse dos brasileiros por carros elétricos permanece alto. Dados do Google Trends mostram que as buscas pelo termo “carros elétricos” cresceram de 40% no início do ano para 100% no meio do período, mantendo-se em torno de 75% nas semanas mais recentes. As buscas por “carros híbridos” permaneceram baixas, variando entre 4% e 7% ao longo do mesmo intervalo.
Assim, a combinação de restrições logísticas, custos de financiamento e alta demanda por determinados modelos tem limitado as vendas de veículos elétricos no país, ainda que o apetite dos consumidores por tecnologias eletrificadas continue em expansão.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
