Banabuiú, 3 de novembro de 2026 – A comercialização e a entrega de água mineral no município cearense passaram a contar com escolta policial após comerciantes interromperem as vendas por temerem retaliações da facção criminosa Comando Vermelho.
A medida emergencial foi iniciada na sexta‑feira (31) e contou com a articulação da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). O procedimento consiste na coleta dos garrafões vazios pelos próprios funcionários da companhia, que os transportam em comboios protegidos até Banabuiú, onde são redistribuídos aos pontos de venda. Nos últimos dias, moradores se reuniram em extensas filas nas ruas em busca do produto.
A pressão da organização criminosa ficou conhecida a partir de 19 de outubro, quando circulou na cidade um documento intitulado “Edital Banabuiú”, assinado por um órgão que se autodenominava “Diretoria Banabuiú”. O texto condicionava a comercialização e a distribuição de água à autorização direta do grupo, ameaçando quem descumprisse as exigências. O edital também proibiu a venda de uma marca específica de água mineral, sob risco de confisco das garrafas e fechamento dos estabelecimentos.
Nos dias 20 e 21 de outubro, a intimidação migrou para aplicativos de mensagens, com relatos de extorsões que variavam de R$ 200 por intervenção pontual a cobranças semanais de até R$ 750 para manter o funcionamento das lojas de distribuição de água.
A interrupção das vendas provocou consequências imediatas na comunidade. Além da escassez de água nos comércios, uma escola pública municipal precisou suspender as aulas no dia 21 de outubro por falta total de abastecimento.
Em resposta ao esquema, as forças de segurança realizaram uma operação integrada em 22 de outubro, baseada em informações de inteligência e em levantamentos da Polícia Civil. Três indivíduos foram detidos em flagrante por extorsão e ameaça; outros seis, entre eles a liderança local da facção, conseguiram fugir e permanecem foragidos. As investigações apontam que o suposto coordenador do plano está no Rio de Janeiro, onde uma ação conjunta com a Polícia Civil do estado está em curso para sua captura.
Na audiência de custódia, a defesa dos acusados solicitou a soltura, alegando ausência de responsabilidade, mas o juiz Maycon Robert Moraes Tomé negou o pedido e converteu as prisões em prisão preventiva. Em sua decisão, o magistrado ressaltou que os detidos fazem parte da “engrenagem financeira de um verdadeiro sistema de domínio social e econômico imposto pela facção ao município”. O juiz também destacou a gravidade da divisão de funções dentro do grupo, que inclui liderança, executores de ameaças, cobradores e arrecadadores.
A sentença trouxe à tona o clima de intimidação na região: o magistrado registrou que alguns policiais militares envolvidos no caso pediram para que seus nomes não fossem divulgados, temendo represálias contra eles e suas famílias.
Em comunicado oficial, a SSPDS informou que a cidade conta com reforço permanente de policiamento ostensivo. Equipes do Policiamento Ostensivo Geral, da Força Tática e de motopatrulhamento atuam diariamente nas áreas urbanas e rurais de Banabuiú, com o objetivo de impedir novas investidas criminosas e garantir a normalidade das atividades da população.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 96 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
