A websérie potiguar Onã estreia no dia 20 de novembro, data da Consciência Negra, no canal do Brasileiríssimos no YouTube. A produção independente, voltada ao público LGBTQIAPN+, recebeu cinco indicações ao Rio Webfest 2026 e será exibida em sequência semanal, com um episódio por semana.

Realizada por 43 profissionais do Rio Grande do Norte, a série tem como cenários a comunidade da Toca da Raposa, em Parnamirim, e o Ilê Axé Obeotogundá Iré, em Natal. O realizador Bruno Wellington, conhecido artisticamente como Bruno Poti, atua como diretor, roteirista e protagonista da obra. Em seis episódios, a narrativa acompanha um jovem da periferia de Parnamirim que busca, por meio da arte e da espiritualidade de matriz afro‑indígena, ressignificar violências da infância e reconstruir sua relação com o feminino. A criação de uma drag queen, Brunette, integra esse percurso de reconhecimento identitário.

“Onã é uma autoficção, uma escrevivência minha: um retorno ao passado para cuidar de dores que a arte e a espiritualidade de matriz afro‑indígena me ajudaram a enfrentar”, explicou Bruno Poti. O nome Brunette, segundo o realizador, recupera um apelido usado para ridicularizá‑lo na infância, quando sua maneira de dançar e se expressar contrariava expectativas de gênero. “Hoje, reconheço em Brunette a potência daquela criança que dançava e se expressava livremente”, afirmou.

A escrita da série começou na residência universitária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, onde Bruno cursava Geografia. A formação na Escola Municipal de Arte João Pernambuco, as vivências em terreiros de Jurema e Candomblé e a participação da cantora pernambucana Amun Há na trilha sonora reforçam a conexão com Pernambuco. No Rio Grande do Norte, o artista já participava de uma corrente mediúnica de Umbanda; no Recife, foi acolhido pelo terreiro Ilê Oyá Igbalé Funan, sob a orientação da yalorixá Laine de Oyá.

A elaboração do roteiro ocorreu em um período marcado pelo falecimento da madrasta, que o ajudava a permanecer em Recife, e por dificuldades financeiras que o levaram a perder trabalhos e a morar na UFPE. “Eu tinha me mudado para Recife com vontade de experimentar a liberdade de ser quem eu sou, sem pensar tanto no julgamento das pessoas”, contou. Na websérie, o terreiro aparece como espaço de acolhimento, memória e criação, aproximando a trajetória pessoal de Bruno das experiências de outras pessoas que enfrentam obstáculos para expressar sua identidade.

Onã concorre no Rio Webfest nas categorias Melhor Direção de Drama, Melhor Websérie de Drama, Melhor Produção, Melhor Performance Infantojuvenil (com Raul Silveira) e Melhor Websérie Brasileira. A obra também integra a programação de exibições do festival, que ocorre de 27 a 30 de novembro no Rio de Janeiro; enquanto o festival exibe o primeiro episódio, o segundo já estará disponível no canal do Brasileiríssimos.

A parceria com o Brasileiríssimos amplia a circulação da produção, que passa a integrar a nova frente Feitos de Brasil, criada para lançar obras de realizadores independentes de todo o país. Onã é o primeiro título dessa iniciativa. O canal, ativo desde 2013, já lançou nomes como Anavitória, Rubel, Ana Muller e a websérie potiguar Septo (2018). O Brasileiríssimos conta com mais de 525 mil seguidores no Instagram, o que potencializa o alcance da série.

“O Brasileiríssimos existe para contar o Brasil, e grande parte desse Brasil está sendo contado por realizadores independentes que não têm onde estrear. Onã abre o Feitos de Brasil porque é exatamente isso: uma história nossa, feita por gente do Rio Grande do Norte, que merece chegar a todo o país”, afirmou Karol Frosi, fundadora do Abajour e responsável pelo Brasileiríssimos.

A produção priorizou a participação de pessoas negras, LGBTQIAPN+, mulheres e integrantes de comunidades de terreiro em funções de criação, decisão e execução. Os seis episódios foram gravados em cinco diárias nas locações citadas. O financiamento contou com recursos da Lei Paulo Gustavo, no Rio Grande do Norte, e da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Ciclo I de Parnamirim. Os custos de equipamentos de imagem e som foram apontados como um dos principais desafios, exigindo adaptações técnicas para manter a proposta artística dentro do orçamento disponível.

“Fazer cinema no Brasil é difícil e caro. Sem as políticas públicas culturais, Onã não teria sido possível”, destacou Bruno Poti. Além das cinco indicações ao Rio Webfest, a série disputa o troféu Zé do Voto Popular, cuja votação está aberta até 18 de novembro no site do festival.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Tribuna do Norte. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.