Ativistas de esquerda distribuíram nos Estados Unidos cartazes que rotulam o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) como “procurado”, apresentando sua fotografia e uma lista de acusações que inclui tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o Estado Democrático de Direito. O material, produzido pelos próprios ativistas, não tem respaldo de ordem judicial ou de comunicado de autoridades policiais.
O senador não é considerado foragido, não possui condenação pelos crimes citados nos cartazes e não consta como procurado por nenhum órgão da Justiça. Flávio Bolsonaro responde a dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL).
A solicitação de apreensão do passaporte do parlamentar foi feita pela Polícia Federal sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral anunciar, às 21h09 de domingo, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 25 de outubro. O pedido foi autorizado por Moraes, que também determinou a proibição da saída do país. Dois dias depois, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas adolescentes, alegando temor de decisões judiciais.
A saída do senador não altera sua condição jurídica; a classificação como foragido exige a existência de ordem judicial que não foi cumprida, o que não ocorre no caso. Assim, os cartazes espalhados nos Estados Unidos devem ser entendidos como manifestações políticas de ativistas, e não como avisos de busca emitidos por autoridades.
Nos mesmos cartazes, a figura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi citada como participante da saída do senador do Brasil e como suposto agente de interferência nas eleições brasileiras. O governo norte‑americano negou qualquer envolvimento direto. Em declaração ao telefone no sábado, 31 de outubro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos não participaram da saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro. Trump, por sua vez, autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos e declarou que ele poderia permanecer no país pelo tempo que desejasse.
A preocupação com possível interferência estrangeira no processo eleitoral foi manifestada pelo governo brasileiro antes do segundo turno. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que representantes da administração Trump haviam tomado parte no debate eleitoral.
Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos. No domingo, 1º de novembro, participou de um culto evangélico na igreja Celeiro, em Fort Lauderdale, Flórida. Imagens divulgadas pela própria congregação mostraram o senador ao lado da esposa, do irmão Eduardo Bolsonaro (PL‑SP) e da cunhada Heloísa Bolsonaro.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
