Eleitores que participaram das eleições de 2026 levaram ao novo governo uma lista de demandas que inclui aumento real do salário‑mínimo, preservação de benefícios, redução da inflação, queda dos juros e equilíbrio das contas públicas.

Em seu primeiro discurso, no dia 25 de outubro, o presidente eleito afirmou ter aprendido lições com o povo durante a campanha e prometeu mudar a forma de governar, ampliar a participação cidadã nas decisões e atuar em benefício dos 215 milhões de brasileiros de todas as cidades.

Pesquisas de opinião recentes revelam as prioridades da população. Um levantamento realizado pelo BTG/Nexus, entre 4 e 7 de setembro, com 2 002 eleitores, apontou a segurança pública como o principal problema citado (35 % das respostas). Em seguida, saúde (31 %), corrupção (23 %), educação (17 %) e a classe política (16 %). O mesmo estudo listou outras 14 questões, cada uma com apoio entre 10 % e 1 % das respostas.

Outra pesquisa, conduzida pela Quaest entre 10 e 13 de agosto com 2 004 entrevistados, também colocou a segurança no topo (33 %). Quando questionados sobre a maior preocupação atual, 5 % citaram a economia, 14 % saúde, 14 % corrupção, 12 % problemas sociais, 7 % educação e 5 % outras questões. A violência tem permanecido como a principal preocupação desde o final de 2025.

A presença de facções criminosas e milícias está registrada em todas as 27 unidades da federação, segundo um mapa elaborado por um jornal nacional. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública informou que esses grupos já alcançam 19 % da população. Crimes de roubo e furto de celulares são recorrentes nas cidades grandes e médias.

Especialistas apontam como medidas urgentes no setor de segurança o aumento da responsabilidade dos municípios e do governo federal no combate ao crime de rua e organizado, a reformulação e o fortalecimento das áreas de investigação e inteligência das polícias, a coordenação efetiva entre os diversos órgãos de segurança e a restrição financeira das organizações criminosas.

No campo econômico, as expectativas são divergentes. As pesquisas mostram apoio ao fim da escala 6×1, ao aumento real do salário‑mínimo, à manutenção de benefícios e à isenção de algumas taxas, ao mesmo tempo em que a população deseja a queda da inflação. Empresários e investidores cobram corte de gastos, redução da dívida pública, eliminação de déficits fiscais, diminuição de impostos e redução dos juros.

O cenário fiscal apresenta desequilíbrio, dívida pública elevada, rigidez orçamentária, juros altos e pouco espaço para investimentos, o que dificulta a sustentação do crescimento e da geração de empregos. O economista e estrategista político Luis Carlos Burbano Zambrano destaca que o primeiro grande desafio será político, devido à tensão entre os Poderes, ao desgaste da credibilidade institucional e às exigências por respostas mais efetivas contra a corrupção. Ele ressalta a necessidade de reconstruir confiança, previsibilidade e cooperação entre as instituições, o que exigirá poder político, capacidade de negociação e liderança.

Zambrano aponta ainda que as reformas necessárias – como a administrativa, a revisão das despesas obrigatórias, a previdência, a readequação de vinculações orçamentárias, a revisão de subsídios e benefícios tributários e a busca por maior eficiência nos gastos – não são politicamente neutras. As medidas tendem a gerar custos imediatos, enquanto seus benefícios se manifestam a médio prazo.

A convergência de pressões – empresariais, que demandam equilíbrio fiscal e condições para juros menores, e sociais, que buscam a preservação de programas, investimentos em saúde e educação, emprego, renda e valorização do salário‑mínimo – cria um ambiente de decisão complexo. O economista identifica ainda um terceiro conjunto de desafios imediatos ligados ao cotidiano da população: segurança, saúde, educação, endividamento das famílias, emprego, renda, custo de vida e qualidade dos serviços públicos, ressaltando que esses problemas exigem recursos diferentes e produzem resultados em ritmos distintos.

A forma como o governo federal conciliar essas demandas e superar os obstáculos políticos e fiscais definirá os primeiros passos de sua gestão e a percepção da sociedade nos primeiros meses de mandato.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.