A reeleição de Luiz Inácio Lula (PT) para um quarto mandato desencadeou as maiores perdas registradas no ano nos ativos domésticos. Na semana que se seguiu, o Ibovespa recuou 17,5 %, encerrando o mês de outubro com queda de 9,21 % após ter atingido a marca histórica de 200 mil pontos no início do período.

De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, com base em dados da B3 e divulgado em reportagem da Folha de S.Paulo, a queda semanal foi a quinta maior desde o início do Plano Real, em julho de 1994. O recuo também foi o mais intenso desde a semana encerrada em 20 de março de 2020, quando o índice perdeu 18,88 %.

No mercado cambial, o dólar avançou 9,18 % na mesma semana, registrando a maior alta semanal de 2026. Em outubro, a moeda acumulou valorização de 5,31 % frente ao real, também o maior avanço mensal do ano.

Os juros futuros acompanharam a tendência de alta. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2031 subiu de 12,64 % para 15,3 % entre as sextas‑feiras dos dias 23 e 30 de outubro, representando elevação de 266 pontos‑base.

Em entrevista concedida à Folha, Bruna Sene, analista de renda variável da corretora Rico, explicou que o mercado desfez posições anteriores e passou a reavaliar o cenário econômico. Segundo a analista, fatores que sustentavam o interesse pela Bolsa brasileira – como preços descontados das ações, peso das commodities e baixa exposição dos investidores à renda variável – permanecem presentes, mas a incerteza recai sobre as premissas da política econômica do novo governo.

Sene avaliou que os ativos podem recuperar valor caso haja previsibilidade fiscal. Para ela, a redução dos juros de longo prazo depende da implementação de regras fiscais claras e duradouras; enquanto essas definições não forem apresentadas, a tendência é de volatilidade elevada.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.