A Binance informou nesta sexta‑feira que os recursos de clientes brasileiros permanecem protegidos, apesar do ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas. A corretora destacou que os ativos dos usuários no país são mantidos em carteiras frias (cold wallets) e que, como medida preventiva, os saques foram temporariamente interrompidos para a realização de uma revisão de segurança. Não foi divulgada data para a retomada das retiradas.

De acordo com o comunicado da Binance, a proteção dos fundos no Brasil baseia‑se em duas práticas: o armazenamento em cold wallets, que mantêm as chaves privadas desconectadas da internet, e o cumprimento das normas do Banco Central que exigem a segregação dos recursos dos clientes dos recursos da própria empresa. A empresa ressaltou que os demais serviços da plataforma continuam operando normalmente.

A corretora ainda não identificou os responsáveis pelo incidente, mas afirmou que colabora com autoridades de diversos países, entre elas o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos. Em atualização posterior, a Binance indicou que a normalização dos serviços de saque poderia ocorrer nas próximas 45 horas.

Especialista em inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, Celso Camilo, apontou que o episódio não implica que todos os investidores em cripto tenham seus recursos comprometidos, mas que o impacto se estende ao mercado como um todo, afetando a confiança dos participantes. Segundo ele, quem utiliza a Binance tem exposição direta ao problema de segurança e à indisponibilidade de saques, enquanto investidores de outras plataformas podem sofrer apenas com a desvalorização dos ativos.

O ataque, ocorrido na quinta‑feira, foi classificado como o maior furto já registrado no setor de criptomoedas. Investigações de empresas norte‑americanas especializadas em rastreamento de criptoativos sugerem que os autores seriam vinculados à Coreia do Norte, embora a Binance ainda não tenha confirmado a identidade dos hackers. As primeiras análises indicam que o invasor teria inicialmente comprometido o computador de um engenheiro da empresa, permitindo o acesso ao sistema de autorização de transferências, e que outras vulnerabilidades também podem ter sido exploradas.

Registros de transações apontam que a maior parte do roubo foi executada em cerca de 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília), com os criminosos movimentando rapidamente os recursos para dificultar bloqueios e rastreamento. Até o momento, aproximadamente US$ 3 bilhões dos valores subtraídos foram localizados; parte desses ativos foi bloqueada com o apoio de outras empresas do segmento, embora a recuperação total ainda não tenha sido confirmada.

A reação do mercado foi imediata. Por volta das 14h, os preços do Bitcoin e do Ether recuaram mais de 5 %, cotados em US$ 77.212,60 e US$ 2.245,39, respectivamente. A BNB, token associado à Binance, apresentou queda de 6 %, negociando a US$ 700,80. Nas bolsas americanas, as ações da Coinbase recuaram mais de 13 % e as da Strategy, grande investidora em Bitcoin, perderam mais de 8 % de seu valor.

A entidade brasileira da Binance, BBrasil SPSAV LTDA, reiterou que os fundos de seus clientes permanecem seguros, destacando o cumprimento das exigências de segregação do Banco Central e o uso de cold wallets como camadas adicionais de proteção. A empresa pediu desculpas pelos transtornos causados pela suspensão dos saques e reforçou que a segurança dos ativos virtuais continua sendo sua prioridade máxima.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.