O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta‑feira (4), interrompe o ciclo de redução dos juros que vinha em vigor desde abril, quando o órgão realizou cinco cortes consecutivos.

A manutenção da taxa surpreendeu parte do mercado financeiro, que esperava uma redução de 0,25 ponto percentual. Contudo, outra parcela das instituições financeiras já previa a permanência da Selic no mesmo patamar.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível registrado em quase duas décadas. A partir de abril de 2026, o Copom iniciou a sequência de cortes em um cenário de desaceleração da inflação, mas a decisão de hoje reflete a elevação das incertezas macroeconômicas.

Entre os fatores apontados para a mudança de postura estão o agravamento do conflito no Oriente Médio, o início do fenômeno climático El Niño e a recente instabilidade cambial, que aumentaram as dúvidas sobre a trajetória da economia.

O Copom também tem duas vagas em aberto na diretoria. Os mandatos de Renato Gomes, responsável pela área de Organização do Sistema Financeiro, e de Diego Guillen, da Política Econômica, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações para os substitutos.

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em outubro, o IPCA‑15, considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,32%, influenciada principalmente pela redução nas contas de energia elétrica. No acumulado de 12 meses, o indicador avançou de 4,5% para 4,62%, ultrapassando o limite superior da meta de inflação. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA de outubro no dia 12 de novembro.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelece como objetivo 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, intervalo entre 1,5% e 4,5%. A verificação da meta ocorre mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses, permitindo ao Banco Central acompanhar continuamente a evolução dos preços.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro, o Banco Central manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,2%. A estimativa deverá ser revisada na próxima edição do documento, prevista para o fim de novembro.

As expectativas do mercado financeiro também apontam inflação acima do limite estabelecido. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com instituições financeiras, a projeção para o IPCA em 2026 está em 5,22%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, a estimativa do mercado era de 3,95%.

A taxa básica de juros influencia diretamente o custo do crédito e o ritmo da atividade econômica. Quando os juros caem, empréstimos e financiamentos tendem a ficar mais baratos, estimulando o consumo e os investimentos; por outro lado, a redução também pode aumentar a pressão sobre os preços.

No mesmo relatório, a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 foi reduzida para 1,8%. A projeção do mercado financeiro é ligeiramente menor: analistas do Focus estimam expansão de 1,76% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, queda em relação à expectativa de 1,85% registrada quatro semanas atrás.

A Selic também serve de referência para as demais taxas de juros da economia e influencia as negociações de títulos públicos. Quando elevada, encarece o crédito, desestimula o consumo e torna a poupança mais atrativa, contribuindo para conter a inflação; quando reduzida, favorece o acesso ao crédito e estimula a atividade econômica.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.