Na quarta‑feira (4) o Irã comemorou a derrota do Partido Republicano e de Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, coincidindo com as celebrações do 47.º aniversário da tomada da embaixada americana em Teerã, que mobilizou passeatas em várias cidades do país.

O líder supremo, Mojtaba Khamenei, declarou que a perda do presidente americano e de seus aliados representa “a consequência do descrédito que os próprios arrogantes causaram a si mesmos”. Segundo Khamenei, a vitória dos democratas não alterará a política entre as duas nações, que permanecem em guerra desde fevereiro de 2026. “Se ainda há quem mantenha alguma esperança em uma mudança de comportamento ou nas alternâncias entre partidos e facções dentro do sistema de dominação, ou acredite que mediante concessões aos Estados Unidos pode fazer com que abandonem sua inimizade com a nação iraniana, está profundamente enganado”, afirmou. O líder ressaltou que o objetivo da Casa Branca continua sendo “a capitulação de Teerã” e advertiu contra qualquer concessão aos americanos, chamando os EUA de “Grande Satã” e afirmando que “o desejo do Grande Satã é a rendição incondicional da nação iraniana”. Acrescentou ainda que os Estados Unidos sofreram “uma queda irreversível tanto no âmbito de seu poder militar quanto no de seu poder brando internacional, e o processo de seu colapso se acelerou”.

Em referência ao conflito em curso, Khamenei apontou que a situação no Estreito de Ormuz demonstrou “a falsidade do mito da invencibilidade” americana e a incapacidade de proteger seus “governos fantoches”, referindo‑se aos Estados árabes aliados dos EUA, que foram alvos de dezenas de ataques iranianos por abrigarem bases militares americanas. O líder reiterou a estratégia de “um Irã cada vez mais forte”.

Nas redes sociais, o presidente do Parlamento e chefe negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, escreveu que os americanos votaram “não à guerra” ao apoiar os democratas nas eleições de meio de mandato. “Seja pela consciência ou pelo custo de vida, os americanos disseram não à guerra e nós apoiamos esta mensagem”, afirmou Ghalibaf na plataforma X. O parlamentar alertou que, caso a Casa Branca “traia a vontade do seu povo para servir aos seus patrocinadores internacionais e àqueles que a chantageiam, descobrirá que o nosso não vem acompanhado de um pesadelo”.

O chefe do Judiciário iraniano, Gholam‑Hossein Mohseni‑Ejèi, classificou o resultado do pleito como uma derrota “militar e política” de Trump. “Trump fracassou militar e politicamente. Certamente lhe infligiremos novas derrotas. O dia 4 de novembro sempre foi um dia de derrota para os americanos. Honramos a memória de todos os estudantes mártires, tanto do ensino fundamental e médio quanto universitários, e, em particular, os queridos estudantes mártires de Minab”, escreveu Mohseni‑Ejèi nas redes sociais.

Seyed Mehdi Tabatabaei, vice‑chefe de comunicações e informação do gabinete presidencial, atribuiu a derrota do Partido Republicano ao alinhamento dos EUA com Israel e ao apoio às ações israelenses em Gaza. “Os crimes contra a humanidade em Gaza, a adesão cega aos interesses do regime israelense ilegítimo e a guerra sem fim com a República Islâmica do Irã trouxeram a maior derrota da história das eleições americanas para o Partido Republicano”, afirmou.

O conflito entre Irã e Estados Unidos tem vigência desde 28 de fevereiro de 2026, quando forças americanas e israelenses lançaram ataques aéreos coordenados contra território iraniano. Na semana anterior às eleições, Teerã intensificou ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz, provocando elevação dos preços do petróleo. Apesar de defender sua postura, Donald Trump reconheceu que a guerra com o Irã influenciou as derrotas republicanas, declaração feita um dia após confirmar novos ataques contra a ilha iraniana de Qeshm, os primeiros anunciados pelos EUA em quase dois meses.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.