As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, deixaram o Partido Democrata com maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, revertendo a expectativa de que o presidente Donald Trump mantivesse o controle de ao menos uma das casas legislativas. Historicamente, as chamadas “midterms” costumam ser desfavoráveis ao mandatário em exercício; a última vez que um presidente conseguiu conservar ambas as casas foi em 2002, com o republicano George W. Bush, antecedido por Jimmy Carter, democrata, em 1978.
Na véspera da votação, os republicanos já admitiam a perda da Câmara, que seria totalmente renovada, mas acreditavam ainda ser possível preservar a maioria no Senado, onde estava em disputa um terço das cadeiras. O resultado final contrariou essa projeção: os democratas conquistaram a maioria em ambas as casas, ampliando seu domínio legislativo.
A virada não se restringiu aos estados tradicionalmente competitivos. Em Texas, eleita a primeira governadora democrata em décadas e um senador também do Partido Democrata, o padrão vermelho foi rompido. No Kansas, um senador democrata foi eleito pela primeira vez desde 1932. Dos demais 35 estados que tiveram eleições para governador, os democratas conseguiram “virar” mais quatro além do Texas; os republicanos venceram apenas nas localidades onde já detinham o governo.
Em meio ao resultado, o presidente Trump atribuiu a derrota a fatores externos, inclusive a membros de seu próprio partido, e afirmou estar disposto a aceitar o desfecho. Em entrevista ao *New York Times*, declarou: “Esperamos poder trabalhar com eles [democratas]. Provavelmente chegaremos a algum acordo”. Nas redes sociais, porém, prometeu exercer numerosos vetos ao Congresso.
A postura de Trump nos dois últimos anos também influenciou o cenário internacional. Ao assumir a presidência, prometeu encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia, mas sua posição ambígua acabou por fortalecer a posição de Vladimir Putin, que tem ameaçado a Europa, inclusive com ciberataques – a Rússia foi apontada como principal suspeita em um recente ataque que comprometeu sistemas de refrigeração de supermercados em cinco países europeus. Paralelamente, o presidente iniciou um conflito com o Irã, elevando o preço global do petróleo e contribuindo para a inflação nos Estados Unidos, fenômeno agravado por tarifas que encareceram produtos e insumos importados.
No âmbito interno, a administração Trump adotou medidas que geraram controvérsia: hostilizou a imprensa, perseguiu escritórios de advocacia que defendiam opositores políticos, exigiu que universidades entregassem listas de estudantes estrangeiros e proibiu algumas instituições de admitir novos alunos do exterior. A política de combate à imigração ilegal foi marcada por excessos, incluindo mortes durante operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
O conjunto de ações governamentais, aliado ao histórico de referendo que as midterms representam para o presidente, pode ter influenciado o eleitorado centrista, tradicional decisivo nas eleições americanas. O Partido Democrata, por sua vez, registrou crescimento da ala mais radical, os “Democratas Socialistas da América”, que ampliaram sua presença no Congresso.
Com as duas casas sob controle democrata, a construção de consensos legislativos tornou-se mais complexa. Propostas que, em períodos anteriores, poderiam ter obtido apoio bipartidário são agora rejeitadas quando provêm do bloco oposto, refletindo a atual polarização do cenário político norte‑americano.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Gazeta do Povo. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
