O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta quarta‑feira (4) políticos que, segundo ele, recorreram a ataques pessoais e a discursos contra instituições para conquistar votos nas eleições. Em pronunciamento no plenário, o senador afirmou que alguns colegas “passam apenas do debate para as agressões” e que “muitos atores políticos do nosso país se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”.

Alcolumbre também questionou as manifestações que colocaram em dúvida o funcionamento do sistema eleitoral após o resultado do segundo turno. Ele citou o desempenho do Partido Liberal (PL) nas eleições legislativas, dizendo que “abriu as urnas e ganharam a eleição, mas o pior de tudo isso é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou… ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores, ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula… e quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna”.

O discurso ocorreu após um desentendimento com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (PL‑RJ). Mais cedo, Portinho havia cobrado que Alcolumbre colocasse em votação ainda naquele dia uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e para 16 anos nas demais infrações. Alcolumbre respondeu que não levaria o texto à votação naquele momento, justificando que a Câmara dos Deputados já havia iniciado a discussão da proposta.

Portinho contestou a decisão e acusou Alcolumbre de descumprir um acordo firmado entre os líderes partidários no dia anterior para acelerar a tramitação da matéria. “O Senado hoje está submetido ao Poder Judiciário e à Câmara dos Deputados. E o presidente do Congresso, senhor Davi, o senhor é o presidente do Congresso, senador. Não é a Câmara dos Deputados que diz como vai ser, o Senado é a Casa Alta. O senhor fez um compromisso; compromisso é para ser cumprido”, declarou.

Em resposta, Alcolumbre negou ter ofendido o líder do PL e afirmou que não fez críticas às urnas eletrônicas durante a manifestação de Portinho: “Eu não ofendi ninguém. Muito menos ofenderia à vossa Excelência, muito menos tratei aqui de urna eletrônica”.

O presidente do Senado ainda saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL), ao comentar a possibilidade de saída do parlamentar para os Estados Unidos. “O outro, se não fugisse, o próprio presidente reeleito disse que o cassaria”, afirmou Alcolumbre.

Ao encerrar sua manifestação, Portinho voltou a cobrar explicações sobre o acordo que, segundo ele, havia sido firmado entre as lideranças para acelerar a votação da PEC.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 98 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.