Santander confirmou nesta quinta‑feira (29) que elevará as taxas do crédito imobiliário a partir de 12,49% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR), seguindo a mesma medida adotada por Bradesco e Itaú. O ajuste, que entra em vigor na sexta‑feira (30), ocorre em meio à alta dos juros futuros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e encarece as condições de financiamento para quem pretende adquirir um imóvel. Na prática, o aumento eleva o valor das parcelas mensais e eleva a renda familiar necessária para a aprovação do crédito, o que pode reduzir a demanda por financiamentos e impactar o setor da construção civil, diminuindo a oferta de empregos e desacelerando o mercado imobiliário em todo o país.
Em paralelo, a dívida bruta do setor público consolidado do Brasil fechou o mês de setembro em R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. O indicador atingiu seu pior patamar desde março de 2021 e acumula alta de 11,2 pontos percentuais desde o início do terceiro mandato de Lula, quando representava 71,7% do PIB. O avanço do endividamento reflete o descompasso das contas públicas, impulsionado pelo aumento das despesas governamentais e pelos déficits acumulados. No acumulado do ano, a dívida bruta subiu mais de 6 pontos percentuais em relação ao PIB, enquanto a dívida líquida do setor público chegou a 70% da riqueza produzida no país. O resultado fiscal de setembro registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões, evidenciando a pressão sobre as finanças do Estado.
A Controladoria‑Geral da União (CGU) divulgou relatório que apontou R$ 49 milhões em sobrepreço e inconsistências orçamentárias nas obras de adequação do Terminal Portuário de Outeiro, em Belém. O projeto, contratado pela Companhia Docas do Pará por R$ 233,8 milhões sob dispensa de licitação, destinava‑se à adequação do local para recebimento de navios de cruzeiro durante a conferência COP30. O valor contratado superou em 29% o orçamento inicial de R$ 181,3 milhões, sem alteração no escopo dos serviços. Entre as irregularidades, destacou‑se a cobrança duplicada de serviços de içamento e cravação de estruturas metálicas, no montante de R$ 22,7 milhões, além de preços acima das referências de mercado, acréscimos indevidos na quantidade de aço e outras despesas questionáveis. A Companhia Docas do Pará reconheceu R$ 10,54 milhões dos valores apontados e contestou os R$ 38,53 milhões restantes, enquanto a CGU apontou falhas na supervisão, já que a mesma empresa participou da elaboração do projeto e do orçamento e depois assumiu a fiscalização da obra.
Em outra esfera, a defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, encomendou laudo pericial que identificou inconsistências nos registros extraídos do celular do empresário. O documento técnico apontou que centenas de arquivos foram modificados ou criados após a data da prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025. Foram detectados 657 arquivos com registro de modificação na data da prisão e 999 arquivos alterados em datas posteriores, incluindo 340 registros de maio de 2026. A perícia também registrou 207 ativações de tela, 33 acionamentos da câmera frontal e três conexões USB após a apreensão. A defesa questiona a preservação da cadeia de custódia e afirma não ter recebido os arquivos brutos necessários para verificar a integridade dos dados, o que pode afetar a validade de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes no contexto da investigação sobre contatos e contratos do Banco Master.
Separadamente, Vorcaro afirmou, em tentativa de negociação de colaboração premiada, que repassou R$ 40 milhões em dinheiro vivo ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em operações relacionadas às eleições de 2022 e 2024. Segundo o relato, R$ 20 milhões teriam sido entregues nas eleições de 2022, quando Silveira concorreu ao Senado, e outros R$ 20 milhões em 2024, destinados a campanhas municipais de candidatos apoiados pelo PSD em Minas Gerais. Vorcaro declarou que os valores não foram declarados à Justiça Eleitoral e que os repasses ocorreram de forma fracionada, em espécie, apontando o pastor Fabiano Zettel, seu cunhado, como responsável por disponibilizar o dinheiro.
No âmbito internacional, o jornal norte‑americano The Washington Post publicou editorial que critica a atuação do Judiciário brasileiro no caso envolvendo Flávio Bolsonaro (PL). O texto, intitulado “Quando juízes se tornam promotores”, descreve suposta perseguição à família Bolsonaro e questiona a concentração de poderes no Supremo Tribunal Federal, alertando para possíveis excessos na atuação da Corte, especialmente do ministro Alexandre de Moraes. O editorial reconhece a legitimidade das investigações contra Flávio, mas ressalta a necessidade de limites ao papel investigativo dos juízes, sugerindo que a democracia depende de um sistema de Justiça confiável e de adversários que aceitem o resultado das urnas.
Por fim, Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou ao Metrópoles que atuou diretamente na organização do jato particular que transportou o senador Flávio Bolsonaro e sua família da Argentina para os Estados Unidos. A informação foi divulgada em entrevista concedida ao veículo.
Esses acontecimentos, que abrangem ajustes financeiros, questões de endividamento público, irregularidades em obras, controvérsias judiciais e críticas à atuação do Poder Judiciário, compõem um panorama de tensões econômicas e políticas que se desenrolam no Brasil.
Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de Blog do BG. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.
