São Paulo, 29 de outubro de 2026 – A volatilidade observada nos mercados financeiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não indica, segundo o economista‑chefe e sócio do BTG Pactual, Mansueto Almeida, que os níveis atuais da bolsa, do dólar e das taxas de juros permanecerão estáveis.

Almeida explicou que os movimentos recentes refletem sobretudo um reposicionamento dos investidores, que aguardam sinais mais consistentes sobre a condução da política econômica. Em evento promovido pelo BTG Pactual, o economista afirmou que os preços registrados nesta semana não podem ser interpretados como um novo padrão de comportamento dos mercados.

Para o especialista, o futuro das cotações dependerá, em grande medida, das medidas que o governo adotará para conter o crescimento das despesas públicas. Ele ressaltou que a definição de uma equipe econômica e a apresentação de diretrizes claras para a política fiscal são essenciais antes do início de 2027. Almeida espera que as nomeações para os cargos estratégicos ocorram nos próximos 30 dias ou, no máximo, até o final do ano; atrasos, segundo ele, aumentam a incerteza dos investidores e elevam o risco de deterioração das expectativas inflacionárias.

O economista, que ocupou a Secretaria do Tesouro Nacional durante o governo de Jair Bolsonaro, tem sido apontado por analistas como um dos nomes mais cotados para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo de oposição. Ele enfatizou que o governo precisa esclarecer, sobretudo, como pretende controlar o aumento das despesas obrigatórias e se haverá reforço do arcabouço fiscal vigente. Segundo Almeida, essas definições são fundamentais para restaurar a confiança dos investidores e criar condições para a redução das taxas de juros.

Almeida também apontou que a alta dos preços do petróleo e a desvalorização do real contribuíram para o agravamento das expectativas de inflação e para a reavaliação dos ativos brasileiros. Contudo, ele considerou que o elemento decisivo será a capacidade do Executivo de apresentar uma trajetória fiscal credível, capaz de sustentar a estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

Texto jornalístico elaborado com apoio de IA, com base na reportagem de 96 FM. Consulte a fonte original para possíveis atualizações.